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Quais os maiores riscos de uma arrematação?

Publicado em 20/09/2026

Um imóvel de leilão quase sempre custa menos do que um imóvel parecido vendido pelo mercado comum. Esse desconto não é um presente: ele existe porque o comprador assume riscos que, numa compra tradicional, o vendedor já teria resolvido antes de colocar o imóvel à venda. É parecido com comprar um carro usado vendido "no estado em que se encontra": o preço menor reflete justamente o risco de descobrir depois um problema que o dono anterior já conhecia.

Ocupação

1. Imóvel Ocupado

Nem todo imóvel arrematado está vazio. Pode haver o antigo proprietário, um inquilino ou até terceiros morando no local. A lei dá ao arrematante o direito de tomar posse do imóvel — no leilão judicial, isso pode envolver um mandado de imissão na posse expedido pelo juiz (art. 901 do Código de Processo Civil, o CPC) — mas, na prática, desocupar um imóvel ocupado pode levar tempo e, em alguns casos, exigir uma ação própria.

Dívidas

2. Dívidas do Imóvel

Uma dúvida comum é: "se eu arrematar, herdo as dívidas do imóvel?" A resposta depende do tipo de dívida.

Art. 130, CTN — Dívida de IPTU sub-roga-se no valor pago no leilão, não vai para o bolso do arrematante

  • IPTU: o crédito é satisfeito com o dinheiro do leilão. O STJ reforçou isso em outubro de 2024 (Tema 1134) — é inválida cláusula de edital que tente transferir a dívida ao arrematante
  • Condomínio: tratamento mais controverso na jurisprudência, com decisões em sentidos diferentes conforme o tribunal e o caso concreto

Por isso, o caminho mais seguro nunca é presumir — é checar o que o próprio edital informa sobre débitos e, na dúvida, buscar orientação específica antes de dar o lance.

Os quatro riscos mais comuns de uma arrematação, resumidos
Os quatro riscos mais comuns de uma arrematação, resumidos.

Validade jurídica

3. Vícios no Processo

Todo leilão segue um rito com exigências formais — intimações, prazos, publicidade do edital. Quando alguma dessas exigências não é cumprida, a parte prejudicada pode questionar o leilão depois, na Justiça. Isso não significa que o imóvel "some" da mão de quem arrematou de boa-fé — a lei protege esse comprador. Tratamos com mais detalhe do que acontece com o dinheiro pago pelo arrematante nesses casos em "Se a arrematação for anulada, o que acontece com o meu dinheiro?"

Piso de proteção

4. Preço Vil

Existe também um piso de proteção contra lances baixos demais: chama-se preço vil o lance inferior a 50% do valor de avaliação do imóvel, e ele não pode ser aceito.

  • Leilão judicial — art. 891, CPC
  • Leilão extrajudicial — art. 27 da Lei 9.514/1997, desde a reforma da Lei 14.711/2023, reafirmado pelo STJ em decisões recentes

Nenhum desses riscos é motivo para evitar leilão. São, isso sim, o motivo pelo qual vale a pena analisar cada lote com cuidado antes de decidir.

Quer uma segunda opinião sobre os riscos de um imóvel específico antes de dar o lance? Fale com a nossa equipe.

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